“La Sylphide”: veja os bastidores do grande conto de fadas do balé

Fotos: Clarissa Lambert

Uma bruxa divertida se preparando para ficar malvada, um jovem fazendeiro escocês prestes a abandonar a noiva por um ser alado e a própria sílfide pronta para alçar voo.

Poucas horas antes de os bailarinos da São Paulo Companhia de Dança (SPCD) entrarem no palco do Teatro Sérgio Cardoso para uma apresentação de “La Sylphide”, o Deu Baile acompanhava os bastidores do primeiro grande balé romântico.

Criado no século 19 por Filippo Taglioni (1777-1871) e imortalizada na versão feita por August Bournonville (1805-79) para o Balé Real da Dinamarca, o balé “La Sylphide” foi remontado para a SPCD pelo argentino Mario Galizzi.

A fotógrada Clarissa Lambert e a jornalista Katia Del Bianco acompanharam a transformação da bailarina Michelle Molina na feiticeira que, por despeito (e muita maldade) faz com que o fazendeiro James Ruben (Yoshi Suzuki) abandone a noiva na festa de casamento em busca de sua amada sílfide (Luiza Yuk) e –maldade das maldades– seja ele mesmo o responsável pela morte do adorável ser.

“Ela é muito mal amada mesmo”, diz Michelle sobre a feiticeira, enquanto usa os truques de maquiagem para ser tornar um ser do mal: máscara branca para envelhecer a sombrancelha e os cílios postiços, sombra escura para criar rugas na testa, “bigode chinês” e olheiras profundas, além de um pó esverdeado para um tom doentio de pele.

No camarim ao lado Yoshi e seus colegas vestem seus kilts escoceses. Antes de vestir a sapatilha, Yoshi corta as pontas da meias. “Pedi permissão para a figurinista [Beth Filipeck], gosto de sentir os dedos na sapatilha”, conta o bailarino.

Pouquíssimos minutos antes do espetáculo, ele ainda tem tempo de mostrar ao Deu Baile o “truque da poltrona”: um encosto que se abre para que a sílfide possa desaparecer do palco como se num passe de mágica.

Enquanto isso ela, Luiza, a sílfide, espera, tranquila, já com sua maquiagem de pele de porcelana, a linda boca marcada com batom clarinho e os olhos realçados por lápis preto e cílios enormes.

LA SYLPHIDE / São Paulo Companhia de Dança 

Coreografia: Mario Galizzi, a partir da obra original de 1836 de August Bournonville

Música: Herman Lovenskjold (1815-1870)

Cenário: Marco Lima

Iluminação: José Luis Fiorruccio

Figurino personagens: Beth Filipecki

Figurino das Sylphides: Marilda Fontes

Assistente de figurino e confecção: Ateliê Sandra Fukelmann

Estrei pela SPCD: 2014, Teatro Sério Cardoso, São Paulo

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